
A cobertura de esgoto chegou a 99% em Três Lagoas e em outros cinco municípios da região leste de Mato Grosso do Sul, segundo levantamento da Sanesul referente a setembro de 2026. Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo e Selvíria completam a relação apresentada na notícia sobre o resultado regional e confirmada pelo comunicado do governo estadual.
O índice supera os 90% estabelecidos como meta nacional de coleta e tratamento de esgoto até o fim de 2033. Para as seis cidades, o resultado indica que a infraestrutura disponível avançou para uma parcela ampla da área considerada no levantamento da companhia. Também mostra a importância de manter os sistemas em funcionamento e acompanhar o crescimento dos municípios: novos bairros, imóveis e atividades econômicas criam demanda mesmo onde a rede já alcançou um patamar elevado.
A cobertura de esgoto de 99%, entretanto, precisa ser lida com precisão. Cobertura descreve a disponibilidade do serviço conforme o indicador utilizado; não informa, isoladamente, quantos imóveis estão efetivamente conectados, qual volume de esgoto é coletado nem o desempenho de cada estação de tratamento. Esses dados são necessários para avaliar o atendimento prestado à população e a qualidade da operação.
O desempenho das seis cidades está inserido na Parceria Público-Privada de esgotamento sanitário firmada entre a Sanesul e a Ambiental MS Pantanal. O governo estadual atribui a expansão à combinação de obras executadas na PPP, investimentos próprios da companhia e outros recursos aplicados nos sistemas. Não há, nos números divulgados para setembro, uma separação que permita atribuir os 99% de cada município exclusivamente a uma dessas frentes.
Cobertura de esgoto reúne seis municípios com 99%
A relação de municípios com cobertura de esgoto de 99% abrange realidades distintas. Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo vivem um ciclo de crescimento associado à indústria de celulose e à ampliação de atividades econômicas no chamado Vale da Celulose. Bataguassu, Brasilândia, Santa Rita do Pardo e Selvíria têm portes e dinâmicas urbanas próprios. Alcançar o mesmo percentual não significa que tenham redes com a mesma extensão, idêntica capacidade de tratamento ou custos equivalentes de operação.
Essa diferença importa para compreender o alcance do levantamento. Em uma cidade maior, ampliar a cobertura de esgoto pode exigir obras em bairros densamente ocupados, adequações de estações existentes e reforço de redes que recebem volumes crescentes. Em localidades menores, a dispersão dos imóveis, a distância até a estação de tratamento e o número de ligações por quilômetro de rede podem pesar mais na conta. O percentual final resume situações operacionais que precisam ser acompanhadas individualmente.
O balanço estadual publicado em outubro identifica outras sete localidades com índice de 99% nas áreas atendidas pela Sanesul: Alcinópolis, Bonito, Caracol, Inocência, Japorã, Jateí e Paranaíba. Assim, as seis cidades da região de Três Lagoas integram um conjunto mais amplo de municípios com cobertura elevada; não são os únicos do estado a atingir esse patamar.
Há avanços expressivos também em municípios que ainda não chegaram a 99%. No mesmo levantamento, Nova Andradina aparece com 98,26%, Dois Irmãos do Buriti com 97,16%, Chapadão do Sul com 96,91% e Figueirão com 95,13%. Em sentido diferente, o governo informou que Sonora passou de 10,02% em agosto para 44,07% em setembro. Os dados ilustram como a cobertura de esgoto pode variar entre localidades atendidas pela mesma estrutura regional de prestação.
No caso de Selvíria, há um registro anterior que ajuda a dimensionar a mudança anunciada. Em setembro de 2025, a Sanesul informou cobertura de 46,46% e descreveu um pacote de obras superior a R$ 15 milhões, com estação de tratamento, rede coletora e ligações domiciliares. O percentual de 99% divulgado para setembro de 2026 sugere uma expansão rápida da disponibilidade do serviço. Para medir a evolução completa do atendimento, ainda é necessário conhecer os dados atualizados de conexões e operação.
Cobertura de esgoto de 99% supera a meta legal, mas requer verificação do atendimento
O Marco Legal do Saneamento estabelece que, até 31 de dezembro de 2033, os serviços de abastecimento de água devem alcançar 99% da população e os de coleta e tratamento de esgoto, 90%. São metas diferentes para serviços diferentes. Portanto, os 99% informados para as seis cidades referem-se ao indicador de esgoto divulgado pela Sanesul, e não à meta legal de abastecimento de água.
A diferença entre cobertura de esgoto e atendimento também está expressa na norma de referência da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a ANA. Para considerar cumprida a meta de universalização do esgotamento sanitário de um município, a norma exige que os indicadores de cobertura e de atendimento alcancem simultaneamente pelo menos 90%, considerando a abrangência territorial definida para a avaliação. Um percentual de cobertura, apresentado sozinho, não substitui essa aferição.
Uma rede disponível diante de um imóvel representa uma possibilidade de conexão. Para que o morador receba efetivamente o serviço, a edificação precisa estar ligada de forma adequada, e o esgoto deve seguir pelo sistema até a etapa de tratamento. Em áreas de expansão recente, pode haver um intervalo entre a conclusão da obra, a liberação da rede e a ligação dos imóveis. Por isso, o número de famílias atendidas não deve ser presumido a partir do percentual de cobertura de esgoto.
A distinção não reduz a relevância dos 99%. Levar infraestrutura a quase toda a área considerada no indicador é uma etapa necessária para ampliar o atendimento. Ela apenas impede que a divulgação de um dado seja tomada como prova de todas as demais condições de universalização. Para os usuários, o resultado depende da conexão, da continuidade do serviço, da capacidade do sistema e do tratamento dos efluentes.
A norma da ANA determina que o desempenho seja avaliado também por município, inclusive quando os serviços são prestados de maneira regionalizada. Essa exigência é importante para uma PPP que reúne cidades de portes muito diferentes: um indicador agregado favorável não elimina a necessidade de verificar a situação de cada localidade. A cobertura de esgoto em Três Lagoas, por exemplo, deve ser acompanhada ao lado do atendimento efetivo na própria cidade, sem ser substituída pelo resultado médio dos 68 municípios da área operada pela Sanesul.
PPP ajuda a ampliar a cobertura de esgoto nos municípios da Sanesul
A PPP de esgotamento sanitário de Mato Grosso do Sul foi contratada em 2021. A documentação institucional da Sanesul registra que a Ambiental MS Pantanal assumiu obrigações de implantação, expansão, operação e manutenção dos sistemas nos 68 municípios atendidos pela companhia. O contrato foi estruturado como Concessão Administrativa, com prazo de 30 anos.
Nesse modelo, a participação privada abrange um conjunto de tarefas que vai além da construção de tubulações. Ampliar a cobertura de esgoto requer instalar redes, executar ligações, implantar ou adequar estações elevatórias e assegurar capacidade de tratamento. Depois da obra, os ativos precisam ser mantidos e operados ao longo de décadas. É essa continuidade que diferencia o resultado de uma intervenção isolada do desempenho de uma prestação permanente de serviço público.
A divisão concreta de responsabilidades entre Sanesul e Ambiental MS Pantanal decorre dos instrumentos da parceria. Para interpretar os resultados, é necessário observar também os investimentos feitos antes da assinatura da PPP e as obras próprias da companhia pública. O comunicado que apresentou os 99% atribui o avanço à atuação conjunta, mencionando expressamente a parceria e os recursos aplicados pela Sanesul.
No documento publicado quando a PPP foi formalizada, a Sanesul apresentava uma estimativa de R$ 3,8 bilhões ao longo do contrato, composta por cerca de R$ 1 bilhão em infraestrutura e R$ 2,8 bilhões em operação e manutenção. Esses valores descrevem a modelagem divulgada em 2021; não correspondem a desembolsos já realizados nem devem ser apresentados como uma atualização financeira de 2026. A separação entre obras e despesas operacionais mostra por que a cobertura de esgoto precisa ser sustentada por recursos durante toda a vigência contratual.
A expansão regional é um dos motivos pelos quais PPPs de saneamento recebem atenção crescente. O Hub PPP já detalhou as diferenças entre projetos de Concessão plena e PPPs de esgoto: a distribuição de investimentos, operação, remuneração e relação com os usuários depende da modelagem de cada contrato. No caso sul-mato-grossense, o dado mais relevante agora é verificar se a infraestrutura implantada continua produzindo atendimento adequado à medida que novas áreas são incorporadas.
Cobertura de esgoto precisa acompanhar o crescimento do Vale da Celulose
A cobertura de esgoto de 99% em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo ocorre em municípios ligados à expansão da indústria de celulose. O governo estadual relaciona o desempenho dessas cidades ao crescimento econômico da região e cita empreendimentos industriais instalados ou projetados no Vale da Celulose. Essa transformação amplia a demanda por moradia, comércio, equipamentos públicos e serviços urbanos.
Para o saneamento, o desafio é atender não apenas a população existente no momento em que o indicador foi calculado, mas também os bairros que surgirão depois. Um percentual elevado pode recuar se novos imóveis forem ocupados em ritmo superior ao da implantação de redes e ligações. Manter a cobertura de esgoto exige, portanto, planejamento contínuo com as prefeituras, atualização das projeções de crescimento e capacidade de executar obras na sequência em que a cidade se expande.
A demanda industrial e a demanda doméstica também não devem ser confundidas. O número de 99% divulgado para os municípios diz respeito ao indicador de esgotamento sanitário informado pela companhia. Ele não detalha, por si só, como cada empreendimento industrial trata seus efluentes ou qual parcela de suas necessidades está integrada à rede pública. A relação entre crescimento econômico e saneamento passa principalmente pelos efeitos urbanos da expansão: novos trabalhadores, famílias, residências e serviços precisam de infraestrutura.
Em cidades com crescimento acelerado, o planejamento deve olhar para toda a cadeia do esgoto. A rede coletora precisa ter capacidade para receber as ligações; as elevatórias precisam transportar o volume previsto; e as estações devem tratar o que chega dentro dos parâmetros exigidos. Se uma dessas partes ficar atrás das demais, a cobertura de esgoto poderá continuar elevada no cadastro enquanto a operação enfrenta restrições. Essa é uma razão para acompanhar indicadores de desempenho além da extensão das obras.
Bataguassu, Brasilândia, Santa Rita do Pardo e Selvíria acrescentam outra dimensão ao resultado regional. A presença de municípios menores entre os que alcançaram 99% indica que a expansão não se limitou aos dois polos industriais mais citados. Ao mesmo tempo, cada cidade precisa preservar seu próprio sistema e atender às áreas ainda não contempladas. O patamar de setembro de 2026 é uma fotografia do serviço naquele mês, não uma condição que se mantém automaticamente.
Cobertura de esgoto de 81,12% mostra o desafio nos 68 municípios
Enquanto seis cidades da região leste chegaram a 99%, o indicador de cobertura de esgoto divulgado para as localidades operadas pela Sanesul foi de 81,12% em setembro de 2026. O recorte abrange a área de atuação da companhia em 68 municípios. Esse número não deve ser descrito como a cobertura de todo o território de Mato Grosso do Sul: há municípios fora desse conjunto, e o comunicado não apresenta o percentual como um indicador único de atendimento efetivo de toda a população estadual.
A diferença entre 81,12% no conjunto informado e 99% em determinadas localidades revela onde se concentra parte do trabalho restante. Sistemas com cobertura elevada exigem manutenção, novas ligações e acompanhamento do crescimento urbano. Já municípios com índices menores precisam de expansão física mais intensa, que pode incluir redes, estações elevatórias e unidades de tratamento. O investimento necessário varia conforme o ponto de partida de cada localidade.
O próprio levantamento estadual de outubro apresenta situações distintas. Caarapó passou de 75,50% em agosto para 82,47% em setembro; Corumbá chegou a 80,10%; e Sidrolândia, a 87,27%. Esses percentuais mostram avanços, mas também deixam claro que a cobertura de esgoto ainda não está distribuída uniformemente entre os municípios atendidos.
Em uma parceria regional, a execução precisa conciliar essas diferenças. Obras em cidades próximas da meta podem exigir intervenções pontuais e tecnicamente difíceis para alcançar os imóveis restantes. Em outras, o desafio é implantar sistemas inteiros ou ampliar de forma expressiva a rede existente. A ordem das intervenções, a capacidade de tratamento e o cronograma contratual precisam ser observados município por município, sem tratar o indicador regional como substituto das entregas locais.
A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul, a AGEMS, informou em sua atuação sobre a PPP que acompanha cronogramas de obras e fiscaliza o contrato. Essa verificação é parte do caminho entre anunciar um percentual de cobertura de esgoto e comprovar o cumprimento das obrigações assumidas. Cabe ao acompanhamento regulatório examinar os indicadores aplicáveis, a prestação do serviço e a evolução das metas previstas.
Manter a cobertura de esgoto exige operação e novas ligações
Uma vez construída a infraestrutura, a prioridade passa a incluir a utilização efetiva das redes. A cobertura de esgoto pode crescer com a disponibilização do sistema, mas seus benefícios dependem de imóveis ligados corretamente e de tratamento adequado. A norma da ANA prevê o acompanhamento separado de cobertura e atendimento justamente para permitir que o regulador identifique situações em que existe rede disponível, mas o serviço ainda não chega de fato a todos os usuários previstos.
A operação também exige manutenção periódica. Redes podem sofrer obstruções; equipamentos de bombeamento precisam funcionar; estações de tratamento devem receber e processar o volume coletado. Com o crescimento das cidades, a capacidade inicialmente instalada pode ter de ser reforçada. Por isso, um município que alcançou 99% precisa continuar investindo e acompanhando a qualidade do serviço, mesmo quando a fase mais visível de expansão já passou.
Para avaliar os resultados da PPP em Mato Grosso do Sul nos próximos anos, será útil observar a cobertura de esgoto junto com o número de ligações ativas, a parcela da população efetivamente atendida, o volume coletado e tratado e o cumprimento das obrigações contratuais em cada município. Nenhum desses indicadores, isoladamente, oferece um retrato completo. Em conjunto, eles mostram se a disponibilidade da infraestrutura está se convertendo em serviço prestado.
O levantamento de setembro coloca Três Lagoas, Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo e Selvíria em um patamar elevado de cobertura. O próximo passo para aferir o alcance dessa conquista é acompanhar como os sistemas atendem os imóveis já existentes, absorvem a expansão urbana e preservam a qualidade do tratamento. É essa continuidade que permitirá transformar os 99% divulgados em resultados duradouros para a população.














