
O leilão da Rota do Pequi ganhou um novo componente com a manifestação de interesse da Nova Rodovias, plataforma formada pelo grupo Opportunity e pela 4UM Investimentos. A companhia informou que já estuda o ativo e se prepara para uma possível participação no processo competitivo marcado para 11 de dezembro, na B3, em São Paulo. A sinalização amplia a movimentação de mercado em torno da transferência da Concebra, mas ainda não representa a confirmação de uma proposta.
O interesse no leilão da Rota do Pequi foi apresentado pelo diretor-presidente da Nova Rodovias, Marcelo Stachow. Segundo o executivo, o projeto reúne características acompanhadas pela empresa, como demanda relacionada ao agronegócio, necessidade elevada de capital e volume expressivo de obras. A empresa administra atualmente as Concessões da BR-381, em Minas Gerais, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, e da BR-364, em Rondônia, entre Porto Velho e Vilhena.
O leilão da Rota do Pequi abrange 211,6 quilômetros das BR-060 e BR-153, entre Brasília, no Distrito Federal, e Hidrolândia, em Goiás. A modelagem prevê R$ 4,3 bilhões em investimentos e inclui a construção do Contorno de Goiânia, além de ampliações de capacidade, vias marginais e estruturas destinadas à segurança e ao atendimento dos usuários.
A entrada de qualquer grupo no leilão da Rota do Pequi somente será formalizada com o envio da proposta econômica e da garantia, previsto para 8 de dezembro. Até essa etapa, as empresas interessadas podem examinar documentos da concessionária, condições do contrato, obrigações financeiras e informações operacionais disponíveis no procedimento de diligência prévia.
Leilão da Rota do Pequi entra na fase de avaliação dos interessados
A manifestação da Nova Rodovias ocorre durante o período de análise do ativo. Conforme o Edital de Processo Competitivo nº 3/2026, os interessados têm acesso ao data room entre 14 de setembro e 8 de dezembro. A sala de informações reúne os documentos necessários à avaliação da Concebra e do contrato que será modernizado com a transferência do controle.
O cronograma estabelece 9 de outubro como prazo final para os pedidos de esclarecimento. A comissão responsável pelo leilão da Rota do Pequi deverá publicar as respostas até 10 de novembro. A entrega eletrônica das propostas econômicas e das garantias ocorrerá em 8 de dezembro, das 9h às 16h. A sessão pública será realizada três dias depois, a partir das 10h, na sede da B3.
Esse calendário permite separar a manifestação inicial de interesse da participação formal. A Nova Rodovias declarou que está estudando o projeto, mas a relação definitiva de proponentes dependerá da aceitação das garantias entregues em dezembro. Outros grupos também poderão avaliar o ativo sem divulgar previamente sua decisão.
Paralelamente, a Agência Nacional de Transportes Terrestres mantém aberta até 9 de outubro a fase de contribuições escritas da Audiência Pública nº 15/2026. O processo trata do edital, do Termo Aditivo de Modernização, do Programa de Exploração da Rodovia e do modelo econômico-financeiro. As manifestações acolhidas poderão resultar em ajustes nos documentos do leilão da Rota do Pequi.
O Hub PPP já detalhou como o leilão da Rota do Pequi foi estruturado e quais procedimentos poderão ser adotados se a primeira fase não produzir a transferência do controle. A atualização agora está concentrada na preparação dos potenciais investidores e nos atos que antecedem a apresentação das propostas.
Nova Rodovias inclui o projeto em sua estratégia de expansão
A Nova Rodovias foi criada a partir da associação entre o Opportunity e a 4UM Investimentos, formada pelas construtoras JMalucelli, Carioca Engenharia, Aterpa e Senpar. A estrutura combina capital para a aquisição e o financiamento de Concessões com capacidade técnica de execução de obras rodoviárias.
Ao informar que analisa o leilão da Rota do Pequi, Marcelo Stachow relacionou o projeto ao perfil de ativos buscado pela plataforma. A companhia acompanha corredores com demanda de transporte de cargas, participação relevante do agronegócio e programas de investimento de grande porte. O trecho entre Goiás e o Distrito Federal reúne tráfego urbano, deslocamentos entre capitais e circulação de produtos destinados ao mercado interno e à exportação.
A empresa já opera dois contratos federais recentes. Na BR-381, a Concessão cobre a ligação entre Belo Horizonte e Governador Valadares. Na BR-364, o contrato compreende o corredor entre Porto Velho e Vilhena. A experiência nessas operações faz parte da avaliação de sinergias, capacidade de mobilização de equipes e acesso a financiamento para o leilão da Rota do Pequi e outros projetos.
O interesse no leilão da Rota do Pequi integra uma análise mais ampla de oportunidades. A Nova Rodovias também acompanha projetos como Rota 2 de Julho, Rota Agro Central e o corredor da BR-163 entre Sinop, em Mato Grosso, e Miritituba, no Pará. Cada disputa, no entanto, possui cronograma, obrigações e estrutura financeira próprios.
No caso da Rota do Pequi, a avaliação não se limita ao custo das obras futuras. O vencedor assumirá uma sociedade de propósito específico existente, com histórico contratual, relações financeiras e obrigações que precisam ser verificadas antes da apresentação da proposta. Por isso, a decisão depende da conclusão da diligência e da modelagem de capital preparada por cada interessado.
Disputa prevê a venda de 100% das ações da Concebra
O leilão da Rota do Pequi não seguirá inicialmente o formato convencional em que o vencedor constitui uma nova empresa para assinar um contrato de Concessão. Na primeira fase, o objeto é a venda de 100% das ações da Concessionária das Rodovias Centrais do Brasil S.A., a Concebra. O comprador passará a controlar a empresa responsável pelo trecho remanescente das BR-060 e BR-153.
A transferência societária prevista no leilão da Rota do Pequi será acompanhada por um Termo Aditivo de Modernização. O documento atualizará o programa de investimentos, as obrigações operacionais, a matriz de riscos, os mecanismos de tarifa e as regras de desempenho. O prazo previsto para a Concessão modernizada é de 28 anos, composto por 18 anos remanescentes do contrato original e dez anos adicionais decorrentes da repactuação.
Esse formato exige uma diligência mais extensa. Além das projeções de tráfego e receita, os potenciais compradores precisam avaliar a situação societária, financeira, tributária, ambiental e operacional da Concebra. Também entram na análise os contratos de financiamento, as garantias, as contas vinculadas, os processos administrativos e as condições previstas para a separação de responsabilidades entre o atual e o futuro controlador.
A documentação do leilão da Rota do Pequi prevê contas distintas para os recursos e obrigações relacionados à atual controladora e para os aportes que caberão ao vencedor. A divisão busca organizar a transição e identificar quais compromissos permanecem vinculados ao período anterior e quais serão assumidos pelo novo acionista.
A Triunfo Participações e Investimentos, atual controladora da Concebra, deverá deixar o comando da concessionária dentro do prazo definido na solução consensual aprovada pelo Tribunal de Contas da União. A estrutura aprovada prevê a saída do grupo e a continuidade dos serviços durante a transferência.
Investimentos incluem Contorno de Goiânia e ampliação de capacidade
O programa do leilão da Rota do Pequi estima R$ 4,3 bilhões em investimentos ao longo do contrato. A principal intervenção é o Contorno de Goiânia, projetado com 43,52 quilômetros. A obra deverá criar uma alternativa para o tráfego de passagem e para veículos pesados que hoje utilizam trechos próximos às áreas urbanizadas da capital goiana e de municípios da região metropolitana.
O Programa de Exploração da Rodovia também prevê 60,6 quilômetros de faixas adicionais em segmentos de pista dupla e 19,4 quilômetros de vias marginais. Essas intervenções serão distribuídas conforme o planejamento contratual e as metas estabelecidas para cada período da Concessão.
Estão incluídas ainda 20 passarelas para pedestres, 114 pontos de ônibus, seis passagens de fauna e um Ponto de Parada e Descanso para caminhoneiros. O contrato abrange serviços permanentes de recuperação, manutenção, conservação, operação, monitoramento e atendimento aos usuários.
Além do investimento total, a modelagem reserva aproximadamente R$ 727,6 milhões para trabalhos iniciais a partir do primeiro ano. Essa etapa reúne ações de recuperação do sistema rodoviário e adequação das condições operacionais antes do avanço das obras de maior porte.
O leilão da Rota do Pequi contempla um corredor utilizado tanto por veículos leves quanto pelo transporte de cargas. A BR-060 conecta Brasília, Anápolis e Goiânia, enquanto a BR-153 participa da ligação longitudinal do país. O trecho concedido também atende deslocamentos metropolitanos e acessos a polos industriais, logísticos e de serviços.
A execução das intervenções obedecerá ao Programa de Exploração da Rodovia e aos parâmetros de desempenho fiscalizados pela ANTT. Os prazos específicos, as condições de entrega e os indicadores de qualidade constam dos documentos disponibilizados aos interessados.
Tarifa será ajustada em etapas vinculadas às metas do contrato
A estrutura tarifária do leilão da Rota do Pequi prevê uma transição gradual até a aplicação integral dos valores calculados para a Concessão modernizada. O modelo estabelece dois degraus de reajuste vinculados ao cumprimento das metas do Plano de Ação.
O primeiro degrau está previsto para o 13º mês e o segundo para o 25º mês. De acordo com a modelagem aprovada pela ANTT, os percentuais são de 30% e 29,41%, respectivamente. A aplicação dependerá da comprovação das obrigações previstas para cada etapa.
Também foi incluído um modulador tarifário para o início do contrato, especialmente em razão dos efeitos sobre a praça de pedágio de Goianápolis. O mecanismo começa em 73,97% no primeiro mês, passa a 88,77% no 13º mês e alcança 100% a partir do 25º mês.
O edital estabelece ainda que propostas com deságio superior a 18% sobre a tarifa básica estarão sujeitas a aportes graduais em conta específica. A regra relaciona o desconto ofertado à necessidade de recursos adicionais para sustentar as obrigações do contrato.
Esses mecanismos deverão ser incorporados aos modelos financeiros dos participantes. Para preparar uma proposta no leilão da Rota do Pequi, cada grupo terá de projetar o cronograma de obras, a evolução da receita, os custos operacionais, os aportes obrigatórios e as condições de financiamento durante os primeiros anos.
Projeto resulta da reorganização da antiga Concessão da Concebra
O contrato original da Concebra foi assinado em janeiro de 2014 e abrangia 1.176,5 quilômetros de rodovias federais. Após dificuldades de execução e o pedido de relicitação apresentado em 2020, o sistema foi dividido em três projetos: Rota do Zebu, Rota Sertaneja e Rota do Pequi.
Os trechos correspondentes à Rota do Zebu e à Rota Sertaneja já passaram por novos processos e foram retirados do contrato original. A Rota do Pequi permaneceu como o segmento remanescente, formado por 211,6 quilômetros das BR-060 e BR-153.
A solução para esse trecho foi construída em procedimento consensual envolvendo a União, a ANTT, o TCU, a Concebra e sua controladora. O Voto nº 42/2026 da Diretoria-Geral da ANTT registra que o Acórdão nº 1.873/2026 do TCU autorizou a execução do acordo e o processo competitivo em duas fases excludentes.
A primeira fase corresponde ao atual leilão da Rota do Pequi, baseado na alienação das ações da Concebra. Se houver proposta válida, cumprimento das condições e conclusão da transferência, a empresa continuará como titular do contrato, sob novo controle e com obrigações modernizadas.
Caso a venda das ações não seja concluída, a ANTT poderá preparar uma segunda fase para transferir o contrato a uma nova sociedade de propósito específico selecionada em outra licitação. Essa alternativa não será realizada simultaneamente em 11 de dezembro. Ela dependerá de edital próprio e somente será acionada se as condições da primeira fase não forem atendidas.
Próximos marcos definirão os participantes da disputa
Até 9 de outubro, os interessados poderão encaminhar pedidos de esclarecimento sobre o leilão da Rota do Pequi e contribuições à audiência pública. As respostas aos questionamentos do edital devem ser divulgadas até 10 de novembro. O acesso ao data room continuará disponível até 8 de dezembro.
Na mesma data, entre 9h e 16h, serão recebidas as propostas econômicas escritas e as garantias. Somente as proponentes cujas garantias forem aceitas participarão da sessão do leilão da Rota do Pequi em 11 de dezembro.
Depois da classificação, a primeira colocada no leilão da Rota do Pequi deverá entregar os documentos de qualificação até 18 de dezembro. A realização da sessão pública, portanto, não produz a troca imediata do controle. A conclusão dependerá da análise documental, do cumprimento das condições precedentes e da formalização dos instrumentos societários e contratuais.
O acordo aprovado pelo TCU estabeleceu 16 de dezembro como referência para a saída definitiva da atual controladora, com possibilidade de tratamento excepcional pela ANTT para organizar a transição do leilão da Rota do Pequi. Durante o procedimento, a concessionária deverá manter a conservação da rodovia, a cobrança de pedágio, o atendimento médico e mecânico e os demais serviços aos usuários.
A eventual participação da Nova Rodovias será conhecida formalmente com a entrega das propostas. Até lá, a companhia permanece como interessada declarada e continua avaliando os documentos, os investimentos e as condições financeiras do ativo.
O leilão da Rota do Pequi chegará à B3 após a conclusão dessas etapas preparatórias. O resultado indicará o comprador das ações da Concebra, caso haja proposta válida e o vencedor cumpra os requisitos previstos no edital. A efetiva transferência dependerá dos atos posteriores conduzidos pela ANTT e pelas partes envolvidas.














