
Os investimentos da Vports alcançaram R$ 1,6 bilhão desde o início da gestão privada dos portos de Vitória e Barra do Riacho, no Espírito Santo. O valor informado pela companhia reúne recursos próprios e aportes de operadores e parceiros em 18 projetos realizados, em execução ou contratados até o primeiro semestre de 2027. A carteira inclui intervenções em berços, armazéns, acessos ferroviários, dragagem, terminais especializados e estruturas voltadas à movimentação de contêineres, veículos, granéis sólidos, líquidos e cargas offshore.
O montante não representa um único programa de obras executado diretamente pela concessionária nem indica que R$ 1,6 bilhão já tenha sido integralmente desembolsado. Os investimentos da Vports combinam obrigações previstas no Contrato de Concessão nº 01/2022, projetos adicionais da autoridade portuária e capital mobilizado por empresas que exploram áreas ou desenvolvem operações dentro do complexo. Essa composição é necessária para compreender a escala da carteira e acompanhar a entrega de cada empreendimento conforme seu cronograma.
A Vports administra os terminais de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho desde setembro de 2022, quando foi concluída a desestatização da antiga Companhia Docas do Espírito Santo, a Codesa. O modelo reuniu a venda do controle da companhia e uma Concessão federal para a administração dos portos organizados. O contrato tem prazo de 35 anos, com possibilidade de prorrogação de até cinco anos, e mantém a União como titular dos ativos públicos vinculados ao serviço. Nesse modelo, os investimentos da Vports precisam observar as obrigações contratuais e a regulação aplicável aos bens públicos concedidos.
Investimentos da Vports reúnem obrigações e capital de parceiros
Os investimentos da Vports estão distribuídos por diferentes relações contratuais. Uma parte corresponde às intervenções obrigatórias assumidas pela concessionária, como a recuperação de armazéns, vias férreas, berços e outros componentes da infraestrutura portuária. Outra parcela decorre de contratos celebrados com operadores que ocupam áreas, instalam equipamentos e ampliam terminais. Há ainda projetos comerciais estruturados em parceria, nos quais cada empresa assume responsabilidades específicas de implantação e operação.
Essa divisão decorre do próprio desenho da Concessão. Como autoridade portuária, a Vports administra as áreas dos portos organizados e pode contratar terceiros para explorar instalações. A operação portuária, porém, é executada por operadores qualificados, e não diretamente pela concessionária. Por isso, os investimentos da Vports aparecem associados a aportes de companhias de logística, terminais, indústrias e prestadores especializados.
O Contrato de Concessão nº 01/2022 determina que a concessionária execute os investimentos obrigatórios previstos no Plano de Exploração Portuária, conserve os bens reversíveis e mantenha os sistemas necessários à segurança aquaviária e à eficiência operacional. Também atribui à Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq, a fiscalização das atividades e dos compromissos contratuais. Os investimentos da Vports vinculados a essas obrigações podem ser verificados separadamente dos aportes comerciais feitos pelos operadores.
A carteira de investimentos da Vports, portanto, é mais ampla do que o conjunto original de obras obrigatórias. Em fevereiro de 2025, a companhia informou que ela e empresas parceiras já haviam aplicado R$ 580 milhões em melhorias de infraestrutura desde a assunção da Concessão. Naquele momento, a autoridade portuária relacionou a execução à revitalização do ramal ferroviário interno, à reforma dos armazéns do centro de Vitória, à recuperação de silos horizontais e a melhorias em berços, segurança e sistemas operacionais.
A atualização para R$ 1,6 bilhão incorpora novos contratos e projetos com execução prevista até o primeiro semestre de 2027. Para organizar essa expansão, a empresa passou a utilizar um Programa de Melhorias de Infraestrutura, denominado PMI pela Vports. Nesse caso, a sigla se refere a um instrumento de planejamento da capacidade portuária e não a um Procedimento de Manifestação de Interesse utilizado na estruturação de PPPs e Concessões. O documento ordena os investimentos da Vports conforme a demanda projetada e a capacidade disponível.
O programa cruza projeções de demanda com a capacidade de canal, berços, armazenagem, acessos ferroviários e demais ativos. A função é identificar quando a infraestrutura disponível poderá se tornar insuficiente e quais intervenções devem ser preparadas. Os investimentos da Vports já contratados integram esse planejamento, enquanto obras ainda em estudo permanecem fora da etapa de execução até que tenham projetos, licenças, fontes de recursos e autorizações definidas.
Ferrovia e terminais especializados integram a carteira
Entre os projetos mais avançados dos investimentos da Vports está a nova estrutura para a movimentação ferroviária de ferro-gusa no Porto de Capuaba, em Vila Velha. O empreendimento foi desenvolvido com a VLI e a Multilift e recebeu cerca de R$ 130 milhões. A instalação reúne uma moega específica, conectada ao ramal interno, e uma solução para transferir a carga dos vagões para a área de embarque.
Segundo a Vports, a estrutura tem capacidade para elevar a movimentação de ferro-gusa de 500 mil para 1 milhão de toneladas por ano. A recuperação da ferrovia interna havia sido concluída no fim de 2024. Com a moega, os vagões podem entrar no porto e descarregar diretamente no equipamento, reduzindo etapas intermediárias que dependiam de movimentações adicionais antes da chegada da carga ao cais.
O projeto também utiliza um berço preparado para navios de maior porte. A capacidade por embarcação passou de aproximadamente 40 mil para 55 mil toneladas, conforme os dados divulgados pela companhia. Dentro dos investimentos da Vports, a iniciativa combina infraestrutura comum do porto, ativos de movimentação e um contrato de longo prazo com empresas responsáveis pela cadeia ferroviária e pela operação da carga.
Outra frente entre os investimentos da Vports é o futuro Terminal de Granéis Líquidos de Praia Mole, estruturado com a Blue Terminals. O empreendimento prevê cerca de R$ 340 milhões para uma instalação destinada ao escoamento de petróleo produzido no Espírito Santo. O projeto ainda precisa cumprir seu cronograma de licenciamento, implantação e preparação operacional. A previsão empresarial de início das operações em 2028 depende da conclusão dessas etapas.
Os investimentos da Vports também abrangem a expansão da armazenagem e da retroárea no Porto de Capuaba. Um contrato com a Multilift destinou mais de 40 mil metros quadrados à movimentação de fertilizantes, ferro-gusa e concentrados minerais. O plano inclui armazém coberto com capacidade estática estimada em 60 mil toneladas e pátio alfandegado para até 75 mil toneladas de ferro-gusa.
No Terminal Portuário de Vila Velha, contrato celebrado com a Log-In incorporou uma área adicional de 70 mil metros quadrados por seis anos. O investimento anunciado para a ampliação foi de R$ 35 milhões, com modernização da infraestrutura e expansão de atividades ligadas a contêineres e carga geral. A nova área amplia a retroárea do terminal e cria espaço para armazenagem e serviços logísticos associados ao cais.
O terminal de veículos também passou a ser explorado por meio de contrato específico, enquanto áreas do Cais Comercial foram direcionadas a operações offshore e a novos usos. Essa diversidade ajuda a explicar por que os investimentos da Vports não estão concentrados em um único tipo de carga. A carteira atende fluxos de importação e exportação com exigências diferentes de pátio, armazém, equipamento, calado, acesso terrestre e controle aduaneiro.
Dragagem, canal e acessos condicionam a expansão
Os projetos instalados em terra dependem da capacidade de navegação e dos acessos ao complexo. Entre os investimentos da Vports, a concessionária contratou em 2025 aproximadamente R$ 30 milhões em dragagem nos portos de Vitória e Barra do Riacho. A campanha previa a retirada de cerca de 600 mil metros cúbicos de sedimentos, com intervenções programadas para preservar as condições operacionais do canal e dos berços.
Na composição dos investimentos da Vports, a dragagem tem função diferente da construção de um novo terminal. Ela mantém profundidades e condições de segurança necessárias ao recebimento das embarcações previstas. O alargamento ou aprofundamento estrutural do canal, por outro lado, exige projetos adicionais, estudos ambientais, coordenação com a autoridade marítima e definição de responsabilidades sobre os aportes.
A empresa avalia adequações capazes de ampliar o conjunto de navios de cabotagem aptos a acessar os terminais. A meta divulgada é criar condições para receber até 90% da frota nacional desse segmento. Essa intervenção ainda deve ser tratada como projeto em avaliação, e não como capacidade já disponível ou obra incluída automaticamente no total contratado.
O mesmo cuidado vale para uma nova etapa ferroviária. Além da recuperação do ramal interno e da moega de ferro-gusa, a Vports identificou quatro intervenções nas proximidades do Porto de Capuaba. A estimativa preliminar é de R$ 150 milhões. Os estudos incluem o aumento da capacidade da pera ferroviária, hoje preparada para composições de 45 vagões, com possibilidade de atendimento a trens de até 90 vagões.
Esses R$ 150 milhões não devem ser somados aos investimentos da Vports como se já estivessem contratados. A companhia ainda discute a modelagem e a fonte de recursos. Também está em avaliação um pátio de triagem para ordenar a chegada de caminhões e evitar que o crescimento da movimentação produza filas ou conflitos adicionais no acesso urbano ao porto.
A autoridade portuária negocia com o Governo Federal a possibilidade de converter parte das contribuições de outorga em obras no próprio complexo. O contrato prevê contribuição variável anual equivalente a 7,5% da receita bruta, 25 parcelas anuais de contribuição fixa a partir do sexto ano e verba de fiscalização destinada à Antaq. A proposta de usar valores de outorga em infraestrutura ainda depende de análise e aprovação das autoridades competentes.
O contrato possui um mecanismo denominado Proposta Apoiada, pelo qual uma obra pode ser submetida após consulta aos usuários. Em determinadas condições, valores não amortizados podem ser considerados na contribuição fixa ou variável, desde que a Antaq aprove a solução. A existência desse mecanismo não torna automática a conversão pretendida nem altera, por si só, as obrigações que já integram os investimentos da Vports.
Barra do Riacho concentra área para novos projetos
Barra do Riacho, em Aracruz, constitui a principal reserva de área para expansão do complexo. O terminal possui dois berços voltados à movimentação de granéis líquidos e uma área greenfield de aproximadamente 522 mil metros quadrados. O desenvolvimento desse terreno faz parte do horizonte da Concessão e pode receber instalações de diferentes perfis, conforme o planejamento portuário e o licenciamento ambiental.
A página institucional da Vports apresenta Barra do Riacho como uma área destinada a novos empreendimentos. A preparação de um porto multipropósito, porém, exige etapas distintas: definição das cargas, estudos de demanda, projeto de engenharia, licença ambiental, contrato com operador, conexão aos acessos e construção das instalações. Por essa razão, os investimentos da Vports relacionados ao local precisam ser acompanhados projeto a projeto.
O contrato estabelece ainda um pagamento anual correspondente a 2% do valor atualizado do terreno greenfield enquanto a área não estiver contratada. A cobrança pode ser reduzida proporcionalmente quando terceiros assumem a exploração de parcelas do terreno. Esse desenho cria uma obrigação econômica associada ao aproveitamento da área, sem dispensar os procedimentos regulatórios e ambientais aplicáveis a cada empreendimento.
Em Vitória e Vila Velha, a expansão ocorre em um espaço portuário já consolidado e inserido no tecido urbano. Em Barra do Riacho, os investimentos da Vports podem ocupar uma área contínua maior, mas dependem da implantação de infraestrutura compatível com os novos negócios. A diferença entre os terminais influencia o tipo de contrato, o custo de implantação e o prazo necessário para colocar cada instalação em operação.
Movimentação cresce enquanto obras avançam
O complexo portuário movimentou 8,4 milhões de toneladas em 2024, volume 15% superior ao registrado no ano anterior, de acordo com a companhia. No primeiro semestre de 2026, foram 4,1 milhões de toneladas, alta de 12% sobre o mesmo período de 2025. Os granéis sólidos atingiram 1,3 milhão de toneladas no semestre, enquanto a movimentação de veículos chegou a 179 mil unidades.
Os investimentos da Vports foram estruturados para sustentar uma nova etapa de crescimento. A meta mais recente apresentada pela empresa é elevar a movimentação anual de cerca de 8 milhões para 13 milhões de toneladas até 2030. A projeção não equivale a uma garantia de demanda: o volume efetivo dependerá da entrada em operação dos terminais, dos contratos de carga, do desempenho do comércio exterior e da capacidade dos acessos ferroviários, rodoviários e aquaviários.
O acompanhamento também deve separar capacidade física, carga contratada e movimentação realizada. Um novo armazém aumenta a capacidade estática, mas somente gera fluxo adicional quando há produto, operador, transporte terrestre e navio disponíveis. Da mesma forma, a instalação ferroviária reduz etapas logísticas, mas sua utilização depende da oferta de vagões e da programação das ferrovias que conectam Minas Gerais ao Espírito Santo.
Para o mercado de infraestrutura portuária, a experiência capixaba mostra como uma Concessão de autoridade portuária mobiliza investimentos em camadas. A concessionária responde pela administração e pela infraestrutura comum, enquanto operadores e parceiros aplicam recursos em terminais, equipamentos e soluções vinculadas às cargas. Cada contrato possui prazo, risco e obrigação próprios.
A Antaq continua responsável pela fiscalização do Contrato de Concessão e dos investimentos obrigatórios. Em 2026, a agência também apresentou um Sistema de Acompanhamento de Investimentos para padronizar informações relativas a contratos portuários. O monitoramento regulatório permite distinguir valores anunciados, projetos aprovados, obras iniciadas e ativos efetivamente entregues.
Até o primeiro semestre de 2027, o principal marco será a execução do conjunto de 18 projetos contabilizados na carteira de R$ 1,6 bilhão. Depois disso, os investimentos da Vports deverão ser medidos pela entrada em operação das estruturas, pelo cumprimento dos parâmetros contratuais e pela incorporação dos ativos reversíveis ao complexo portuário. Projetos ainda em estudo, como a nova expansão ferroviária, o pátio de triagem, intervenções adicionais no canal e novas instalações em Barra do Riacho, avançarão somente após a conclusão das etapas técnicas, ambientais, financeiras e regulatórias correspondentes.














