Obra atrasada da Fiol leva TCU a cobrar plano emergencial na Bahia

Tribunal determinou que a Infra S.A. exija medidas imediatas de limpeza e manutenção no Lote 5F da Fiol II. Contratação de R$ 365,2 milhões registra execução bem abaixo do cronograma previsto.
Trilhos da Fiol em área rural da Bahia representam a obra atrasada da Fiol e o plano emergencial de manutenção cobrado pelo TC

A obra atrasada da Fiol levou o Tribunal de Contas da União a determinar que a Infra S.A. exija um plano emergencial de limpeza e manutenção para o Lote 5F da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, na Bahia. A fiscalização identificou problemas de conservação em um trecho já implantado, ao mesmo tempo em que apontou atraso relevante na execução dos serviços remanescentes contratados para concluir a infraestrutura.

O ponto mais crítico examinado fica no subtrecho 5FB1, onde há aproximadamente 96 quilômetros de trilhos instalados. A auditoria registrou vegetação de grande porte entre dormentes e sobre o lastro ferroviário — a camada de brita que garante sustentação, drenagem e estabilidade à via. A obra atrasada da Fiol passa, assim, a envolver não apenas a demora para finalizar os serviços, mas também a preservação dos ativos que já foram construídos.

A decisão exige uma resposta imediata porque infraestrutura ferroviária parcialmente implantada não pode permanecer sem conservação adequada até que as obras sejam retomadas ou concluídas. A presença de raízes, matéria orgânica e vegetação sobre os trilhos e o lastro dificulta o escoamento da água, pode comprometer a drenagem e acelera a deterioração dos elementos da superestrutura ferroviária.

O Lote 5F integra a Fiol II e possui cerca de 162 quilômetros entre a área próxima à ponte ferroviária sobre o Rio São Francisco e o Riacho da Barroca, no Oeste da Bahia. O trecho é relevante para a conexão futura da ferrovia com outros segmentos do corredor. Por isso, a obra atrasada da Fiol também tem reflexos sobre a preparação de uma futura Concessão do sistema integrado Fico-Fiol.

A determinação do Tribunal não significa que a obra foi paralisada definitivamente nem que uma nova Concessão foi cancelada. Ela estabelece que a estatal responsável pelo contrato deve adotar medidas para recuperar e conservar a infraestrutura existente, acompanhar as novas metas de execução e corrigir fragilidades identificadas na administração do empreendimento.

Obra atrasada da Fiol expõe falhas de manutenção no Lote 5F

A situação examinada pelo TCU decorre de um problema de planejamento contratual. O edital previa a execução de manutenção ao longo de todo o período da contratação, com orçamento de R$ 13,56 milhões. No entanto, o cronograma adotado concentrou esses serviços entre o quinto e o 13º mês do contrato. Os recursos destinados à conservação foram consumidos antes da conclusão das obras, deixando trechos implantados sem o atendimento contínuo necessário.

Essa concentração ajuda a explicar por que a obra atrasada da Fiol ganhou uma dimensão adicional de risco. Quando uma ferrovia está incompleta, a infraestrutura já executada precisa ser protegida contra intempéries, crescimento de vegetação, falhas de drenagem, vandalismo e degradação de materiais. Sem essa rotina, o poder público corre o risco de gastar novamente para recuperar ativos que deveriam ter sido mantidos em condições adequadas.

O processo de fiscalização do TCU descreve o histórico do Lote 5F e registra que o contrato original foi encerrado em 2023 com 64,66% da planilha orçamentária executada. A obra começou em 2014 e tinha previsão inicial de conclusão em 2015, o que evidencia um ciclo prolongado de atrasos, aditivos, encerramento contratual e nova contratação de serviços remanescentes.

Em abril de 2024, a Infra S.A. contratou a TCE Engenharia para elaborar projetos executivos e concluir os serviços restantes em trechos do lote. O novo contrato foi firmado no valor de R$ 365,2 milhões. Porém, em março de 2026, após 22 dos 26 meses previstos para a execução, apenas 17,77% do valor contratual havia sido executado, diante de uma previsão de 93,14% para aquele estágio.

Esse descompasso é o núcleo da obra atrasada da Fiol. A diferença entre o percentual planejado e o efetivamente executado não representa uma pequena variação de cronograma. Ela indica que a entrega física e financeira estava muito aquém da trajetória esperada perto do fim do prazo contratual originalmente estabelecido.

A situação reforça a importância de separar três dimensões que muitas vezes aparecem misturadas no debate público. A primeira é a conclusão das obras pendentes. A segunda é a manutenção da infraestrutura existente. A terceira é a futura transferência da operação para um concessionário. A obra atrasada da Fiol afeta as três, mas cada uma depende de providências distintas.

Obra atrasada da Fiol exige recuperação antes da futura Concessão

A Fiol é parte de uma estratégia de integração ferroviária voltada ao transporte de cargas e à conexão de regiões produtoras com os corredores logísticos do país. O projeto do Corredor Leste-Oeste reúne trechos da Ferrovia de Integração Oeste-Leste e da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, formando um sistema que deverá conectar Bahia, Goiás e Mato Grosso em diferentes etapas.

A página oficial do Corredor Leste-Oeste apresenta a iniciativa como projeto de Concessão ferroviária estruturado para integrar trechos da Fico e da Fiol. A qualidade dos ativos recebidos pelo futuro operador será decisiva para a viabilidade do contrato, para a estimativa de investimentos adicionais e para a definição das responsabilidades sobre obras inacabadas ou com necessidade de recuperação.

Por isso, a obra atrasada da Fiol não deve ser interpretada como assunto exclusivamente de engenharia. Ela interfere diretamente na modelagem econômico-financeira da futura Concessão. Quanto maior a incerteza sobre o estado da infraestrutura, sobre as pendências de projeto e sobre o custo de recuperação, maior tende a ser o risco percebido pelos investidores.

Um futuro concessionário precisará saber exatamente quais bens receberá, em que condição estarão trilhos, pontes, terraplenagem, drenagem, obras de arte especiais, sinalização, pátios e faixa de domínio. Também precisará identificar quais intervenções já foram pagas, quais estão pendentes, quais dependem de projetos executivos e quais riscos permanecerão com o poder público.

A obra atrasada da Fiol torna esse inventário ainda mais relevante. Em infraestrutura ferroviária, não basta informar a extensão nominal de uma linha. É necessário demonstrar o nível de conclusão de cada trecho, a condição física dos ativos, a validade das licenças, a existência de passivos ambientais, a situação fundiária e as obrigações necessárias para viabilizar a operação comercial.

O Hub PPP já mostrou que o corredor Fico-Fiol foi ampliado até Rondônia, mas que a futura Concessão não abrange automaticamente toda a rota mencionada nos atos de planejamento. A delimitação entre trechos em obra, trechos operacionais, expansões futuras e ramais ainda precisa ser harmonizada nos documentos definitivos.

A determinação do TCU evidencia que essa harmonização também deve incluir a qualidade dos ativos existentes. Não é suficiente projetar uma ferrovia como conexão estratégica se partes da infraestrutura estão expostas à degradação antes mesmo de entrarem em operação regular.

Obra atrasada da Fiol revela problema de cronograma e de governança contratual

A obra atrasada da Fiol revela uma falha que vai além da contratada responsável pelos serviços. O Tribunal apontou a necessidade de aperfeiçoar a forma como a Infra S.A. acompanha os contratos, aprova projetos executivos, administra compromissos de ajustamento e vincula pagamentos ao cumprimento de metas verificáveis.

Em obras ferroviárias, o projeto executivo é um elemento determinante para o avanço físico. Ele detalha soluções de engenharia, compatibiliza interferências, define métodos construtivos, ajusta quantitativos e orienta a execução. Quando sua aprovação é lenta ou ocorre sem coordenação adequada com o cronograma de obras, os serviços podem perder ritmo, sofrer paralisações ou exigir reprogramações sucessivas.

A fiscalização recomendou que a estatal aperfeiçoe os critérios de manutenção contínua em contratos futuros e fortaleça o acompanhamento dos compromissos assumidos para recuperar o cronograma. Isso significa que a resposta à obra atrasada da Fiol não deve se limitar à roçada de vegetação ou à limpeza do lastro. Ela precisa produzir mecanismos capazes de evitar que ativos já implantados voltem a ficar sem conservação.

O pagamento por desempenho é uma das ferramentas que pode contribuir para esse objetivo, desde que seja adequadamente estruturado. Em vez de medir somente o volume financeiro desembolsado, a administração pode vincular parcelas da remuneração à entrega de marcos físicos, à qualidade dos serviços, à disponibilidade da infraestrutura e à conservação efetiva dos trechos executados.

Essa lógica é particularmente importante em contratos de longa duração. Obras lineares atravessam grandes extensões, dependem de acesso a áreas remotas, envolvem drenagem, terraplenagem, pontes, túneis, superestrutura e interfaces ambientais. Um cronograma genérico não é suficiente para garantir que a obra atrasada da Fiol retorne a uma trajetória executável.

Também será necessário avaliar a capacidade de mobilização da empresa contratada, o número de frentes de serviço, a disponibilidade de materiais, a sequência de atividades e a compatibilidade entre projeto, orçamento e prazo. Sem esse diagnóstico, novos compromissos de conclusão podem apenas postergar o problema.

Obra atrasada da Fiol afeta a confiança na entrega de projetos ferroviários

O atraso de um lote não deve ser usado para concluir que todo o projeto ferroviário é inviável. A Fiol envolve trechos com situações distintas, diferentes responsáveis por obras e operações, e etapas específicas de implantação. Porém, a obra atrasada da Fiol é um alerta para a necessidade de transparência sobre o estado real de cada ativo que compõe o corredor.

Projetos ferroviários exigem horizontes longos de investimento e mobilizam construtoras, fabricantes de material rodante, operadores logísticos, produtores, tradings, terminais e financiadores. A previsibilidade sobre o cronograma de entrega da infraestrutura é essencial para que esses agentes possam organizar decisões de investimento e contratos de transporte.

Quando uma obra fica muito abaixo do planejamento, os impactos vão além do custo direto da construção. Há risco de perda de eficiência logística, postergação de receitas futuras, necessidade de despesas adicionais de conservação e dificuldade para coordenar a ferrovia com portos, terminais e outras malhas ferroviárias.

A obra atrasada da Fiol também demonstra por que Concessões não devem ser anunciadas como mera solução automática para obras pendentes. Antes da transferência ao setor privado, é preciso esclarecer quais obrigações serão entregues pelo Estado, quais investimentos serão assumidos pelo futuro concessionário e como serão tratados passivos existentes.

Um contrato mal delimitado pode elevar as exigências de retorno, reduzir a concorrência ou gerar pedidos de reequilíbrio logo nos primeiros anos de operação. Já uma estrutura transparente, com inventário adequado e matriz de riscos objetiva, aumenta a capacidade de atrair capital e de executar o projeto de forma sustentável.

Obra atrasada da Fiol se conecta ao calendário de Concessões ferroviárias

A perspectiva de uma futura Concessão do corredor Fico-Fiol torna a recuperação do Lote 5F ainda mais urgente. O planejamento federal inclui o projeto entre os empreendimentos ferroviários em estruturação, mas a data de leilão e o escopo definitivo dependem da consolidação de estudos, da avaliação dos órgãos de controle e da definição clara sobre os ativos que serão transferidos.

O Hub PPP já destacou que as Concessões em 2027 concentram ao menos R$ 204 bilhões em projetos de infraestrutura, com as ferrovias respondendo pela maior parcela da carteira reprogramada. A presença de uma grande agenda não garante, entretanto, que todos os projetos estejam no mesmo estágio de maturidade ou tenham edital pronto.

No caso do corredor Fico-Fiol, a obra atrasada da Fiol reforça a necessidade de separar planejamento estratégico de disponibilidade efetiva da infraestrutura. Uma ferrovia pode integrar uma rota prioritária e, ao mesmo tempo, depender de recuperação física, conclusão de obras, atualização de documentos e tratamento de pendências antes de se tornar um ativo apto a uma Concessão de longo prazo.

A integração futura do sistema pode gerar ganhos logísticos relevantes, especialmente para o transporte de produtos agrícolas e minerais. Mas esses ganhos dependem de uma cadeia completa: ferrovia implantada, conexões operacionais, terminais, acesso portuário, demanda contratada e regras de exploração que permitam recuperar os investimentos.

A obra atrasada da Fiol precisa ser resolvida antes que a linha possa contribuir plenamente para essa cadeia. O plano emergencial é um primeiro passo voltado à proteção da infraestrutura existente. A etapa seguinte será demonstrar a recuperação do cronograma, a conclusão dos serviços pendentes e a disponibilidade de informações confiáveis para a futura modelagem.

Obra atrasada da Fiol exige medidas verificáveis e manutenção permanente

A determinação do TCU cria um marco de acompanhamento para a obra atrasada da Fiol. O ponto central não será apenas a apresentação formal de um plano pela contratada. Será necessário verificar se a limpeza e a manutenção são executadas, se o lastro volta a cumprir sua função de drenagem, se a vegetação é controlada continuamente e se os serviços pendentes passam a seguir um cronograma realista.

A Infra S.A. informou que acolherá as determinações e recomendações do Tribunal e que parte das providências já está prevista nos compromissos firmados para a recuperação do contrato. Esse posicionamento precisa agora ser convertido em metas públicas, indicadores de execução e prestação de contas periódica.

Para a administração pública, o desafio será equilibrar rapidez e controle. Medidas emergenciais são necessárias para evitar a perda de infraestrutura já construída, mas não podem substituir a correção estrutural do planejamento. A obra atrasada da Fiol exige manutenção imediata e, ao mesmo tempo, uma revisão dos mecanismos de gestão que permitiram o acúmulo do problema.

Para o mercado, a principal informação será a capacidade de transformar os compromissos de ajuste em evolução física mensurável. A conclusão dos trechos, a preservação dos ativos e a definição das responsabilidades serão fundamentais para que o corredor Fico-Fiol avance com segurança jurídica e atraia interessados quando chegar ao estágio de Concessão.

A obra atrasada da Fiol coloca em evidência uma regra básica da infraestrutura: ativos incompletos não podem ser tratados como ativos prontos. Antes de discutir operação comercial, expansão da malha ou futura Concessão, é necessário garantir que trilhos, lastro, drenagem e obras associadas estejam preservados, concluídos e entregues em condições compatíveis com o serviço que se espera da ferrovia.

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